SEGURO DE VIDA E PROTEÇÃO PATRIMONIAL

A indústria de seguros no mundo desenvolvido é muito grande, pois seu pilar é o desenvolvimento econômico do país. Há muitos anos, logo após a depressão de 1929 ocorrida nos EUA, o governo americano incentivou a indústria de seguros de vida, de modo que ela é hoje a maior do mundo e representa 9,5% do PIB americano. O Brasil ocupa a 26ª posição no ranking mundial, com 1,4% do PIB, de acordo com fontes da Swiss Re, de 2010.

Se o provedor da família possuir um seguro de vida e falecer, a família continuará tendo o sustento e poderá arcar com os custos educacionais dos filhos. Independentemente das contribuições feitas, o seguro tem por objetivo imediato garantir uma renda de manutenção de padrão de vida, viabilizar a educação dos filhos, liquidar as dívidas que recaiam sobre os dependentes e prover recursos para inventário e despesas decorrentes do falecimento do provedor.

O seguro também efetua uma blindagem do patrimônio pessoal, ou seja, o capital não pode ser bloqueado para uso de ações na justiça. Ele não entra no inventário, e a livre escolha de beneficiários é assegurada por lei, o que o torna uma excelente ferramenta no planejamento sucessório familiar, tanto do ponto de vista de transferência de herança quanto dos custos inerentes ao processo de inventário, uma vez que é de liquidez imediata.

Outra característica desses seguros é o chamado prêmio nivelado, que não aumenta em função da idade, apenas sofre a correção da inflação, tornando-o um produto muito interessante para jovens casais, pois seu custo de aquisição é atrelado à idade e saúde do segurado, ou seja, quanto mais jovem e sadio, menor o custo de aquisição.

O valor do seguro é determinado mediante uma análise personalizada para cada pessoa e há diferentes formas de estimar a necessidade de seguro, tanto em valor quanto em prazo de vigência. Para exemplificar, vamos levantar a necessidade de seguro de um jovem casal, ambos trabalhando e com dois filhos no ensino fundamental em escola particular, com um tempo previsto de auxílio para educação de quinze anos.

ANÁLISE DAS NECESSIDADES FINANCEIRAS DE UM SEGURO DE VIDA
A Necessidades financeiras em caso de morte João Maria
1 Despesas mensais familiares (cada um contribui com 4 mil/mês) Tempo: 15 anos R$ 720.000,00 R$ 720.000,00
2 Custo educacional estimado= R$ 800.000,00. Considero João pagando 2/3, por ter salário mais alto, e Maria, 1/3 R$ 533.000,00 R$ 267.000,00
3 Dívidas e financiamentos não cobertos por seguro na aquisição R$ 40.000,00 R$ 20.000,00
  TOTAL DE NECESSIDADE R$ 1.293.000,00 R$ 1.007.000,00
B Liquidez financeira em caso de morte    
1 Investimento do casal no mercado financeiro R$ 100.000,00 R$ 100.000,00
2 Seguro de vida na empresa em que trabalham R$ 50.000,00 R$ 50.000,00
  TOTAL DE LIQUIDEZ R$ 150.000,00 R$ 150.000,00
  Valor da cobertura de seguro por 15 anos (A-B) R$ 1.143.000,00 R$ 857.000,00
C Necessidades para o inventário – 12 % sobre o valor do bem    
1 Imóveis R$ 72.000,00 R$ 72.000,00
2 Veículos R$ 6.000,00 R$ 5.000,00
  Valor de seguro de vida inteira – Inventário R$ 78.000,00 R$ 77.000,00

Nesse exemplo, levantou-se a necessidade de seguro de vida para Maria e João no período de quinze anos para garantir a educação dos filhos e uma renda complementar, caso um dos cônjuges faleça. Não foram abatidos custos que deixam de existir na morte de um deles. Após os quinze anos, levantou-se a necessidade financeira de cobrir os custos de inventário, considerando-se o custo de 12% sobre o valor total do inventário, que contempla imposto, taxas e custos advocatícios.

Para atender às necessidades de proteção, é possível fazer diferentes configurações de seguro de vida, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Uma solução seria contratar um seguro temporário por quinze anos para João e Maria no valor estimado de R$ 1.143.000,00 e R$ 857.000,00, respectivamente, mais um seguro de vida inteira de R$ 78.000,00 e R$ 77.000,00, respectivamente, para cobrir os custos de inventário por eterno. A vantagem dessa solução é que o seguro temporário, por não ter capitalização, geralmente apresenta custo mais baixo que o de vida inteira. A desvantagem é que o seguro temporário se encerra exatamente após o prazo contratado; se a pessoa porventura tiver algum problema de saúde e quiser permanecer segurada, não poderá e também não terá uma poupança.

Outra solução é fazer um seguro de vida inteira resgatável dentro da necessidade para os quinze anos e para o inventário e permanecer nele ou resgatar o valor acumulado para usufruir no período da aposentadoria. A grande vantagem dessa solução é que o seguro de vida inteira não tem prazo, ou seja, caso João ou Maria, após esse período de quinze anos, não gozem de boa saúde, podem continuar segurados por toda a vida e incluir a apólice em seu planejamento sucessório.

SEGURO PROTEÇÃO SOCIETÁRIA

Um seguro pouco usado no Brasil, mas que faz parte do plano de negócio de muitas empresas em outros países, como os EUA. Estatisticamente, conforme dados do Sebrae, 75% das empresas familiares não passam da segunda geração, 15% não passam da terceira geração e apenas 10% se perpetuam. Para evitar que a sucessão na empresa seja um problema para os sócios, realiza-se o seguro de proteção societária, que é, na verdade, um seguro de vida para cada sócio com cláusulas operantes no contrato social da empresa. O valor segurado geralmente é o valor de mercado da empresa. Cada sócio faz um seguro no valor de sua participação na sociedade. Por exemplo, uma empresa avaliada em R$ 20 milhões tem três sócios, sendo que um deles tem 60% de participação, e os outros dois, 20%. O sócio majoritário fará um seguro de vida no valor de R$ 12 milhões e os outros farão um seguro no valor de R$ 4 milhões cada um. O beneficiário do seguro é a própria empresa, que é também a pagadora dos prêmios. O contrato social é alterado de forma a esclarecer que, no caso de morte de um dos sócios, a indenização do seguro de vida será feita para a empresa e esta é obrigada a comprar as cotas do sócio que faleceu. Com o falecimento de um dos sócios, a empresa repassa a seus herdeiros o dinheiro que lhe cabe e efetua o realinhamento das cotas na proporção de sócios remanescentes da empresa. Com isso, a empresa resolve ao menos dois problemas que prejudicam sua sobrevivência com a morte de um dos sócios: tem acordada a compra da parte do sócio falecido com a indenização do seguro; continua atuando normalmente sem interferência de familiares do sócio falecido, o que é muito comum e prejudicial, podendo levar a empresa à falência. Vale ressaltar ainda outra vantagem: a empresa está apta a ser vendida caso os sócios remanescentes decidam não continuar no negócio.

Abra sua conta na XP: